Carrego no acelerador, a paisagem passa por mim, não mais do que um borrão indistinto. Árvores, casas, muros, tudo passa sem deixar a mínima impressão. Quero voltar lá, todos os segundos que passo afastado do quarto são segundos inúteis, sem qualquer sentido ou razão.
Quando finalmente chego, ele ali está mas sem o sorriso do costume.
Desta vez posso prestar atenção ao que rodeia a estrada, vejo as casas de dois andares, vejo as enormes árvores verdes que salpicam a região, vejo crianças a brincar, vejo tudo. Ando devagar, não tenho pressa em chegar. Subo o elevador, a música de fundo é irritante e gostava que não estivesse ali. No corredor, caminho para a porta que vi centenas de vezes. Nela está o número do quarto, 804, quantas vezes estive ali? E quantas vezes estive ali sem ele?
Sentado na cama, espero por ele. Está atrasado, talvez venha, talvez não. Ando um pouco pelo quarto, já sei onde tudo está, já sei cada detalhe de cada objecto. Finalmente, ele chega. É parecido mas nunca o alcançará.Tudo acontece sem amor, mas é bom. Vai-se embora. Penso no que estou a fazer, no que me tornei. A verdade é que não consigo chegar a nenhuma conclusão. Há apenas um vazio silencioso.














Comments
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Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.
Ary dos Santos
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Sorry for my english, im from portugal.
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